Mercado brasileiro de carregadores para carros elétricos cresce e já ultrapassa R$ 1 bilhão anualmente com nova legislação

Publicado em: 6 de março de 2026
Siga-nos
Homem conectando um cabo amarelo na porta de carregamento de um carro elétrico em ambiente ensolarado.

O mercado brasileiro de recarga para carros elétricos está em plena expansão, movimentando atualmente entre R$ 1 bilhão e R$ 2 bilhões por ano, com estimativas de que esse número possa superar R$ 3 bilhões anuais em um futuro próximo. Essas projeções são baseadas em análises da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) e foram divulgadas com exclusividade para a Forbes Brasil.

No centro dessa transformação está a recente Lei 18.403, sancionada pelo governador Tarcísio de Freitas, que permite aos moradores de condomínios residenciais e comerciais instalarem estações de recarga em vagas de garagem privativas, desde que sigam as normas de segurança. Esta mudança é um avanço significativo, uma vez que muitos síndicos anteriormente vetavam tais instalações. A expectativa é que outros estados adotem legislação semelhante, acompanhando o exemplo de São Paulo.

Mudanças significativas à vista

A nova legislação promete revolucionar o mercado, segundo Davi Bertoncello, diretor da ABVE. Ele aponta que a lei desencadeia uma demanda reprimida, com uma estimativa de crescimento de 40% a 60% no volume de instalações de carregadores rápidos em prédios nos próximos dois anos, especialmente nas grandes cidades.

Atualmente, não existem números oficiais precisos sobre o tamanho do setor, mas as projeções da ABVE consideram a venda de equipamentos, o custo médio de instalação e os investimentos realizados por empresas do setor. O crescente número de veículos eletrificados, que encerrou 2025 com 224 mil unidades vendidas, junto com a nova regulamentação, deve acelerar essa evolução. Bertoncello acredita que o mercado de recarga pode ultrapassar os R$ 3 bilhões em três anos.

Aprendendo com a Noruega

As projeções brasileiras são inspiradas em resultados da Noruega, que é referência em mobilidade elétrica. Desde 2017, este país possui uma legislação similar, que assegura o direito de instalação de carregadores em condomínios. Como resultado, 90% dos carros vendidos em 2024 eram completamente elétricos, mostrando a efetividade de um marco regulatório para o crescimento da mobilidade elétrica.

Avanço na infraestrutura de recarga

Conforme a atualização da base nacional de pontos de recarga, o Brasil está em uma fase de escala acelerada. Em fevereiro de 2026, o país contava com 21.060 pontos de carregamento, um crescimento significativo em relação aos 16.880 pontos em agosto de 2025, representando um avanço de 24,7% em meses. Comparando com fevereiro de 2025, o crescimento é ainda mais impressionante, alcançando 42%.

Dentre os pontos de recarga, cerca de 70% são focados em recarga lenta, enquanto 30% proporcionam carregamento rápido. A expansão dos pontos de carregamento rápido, que aumentaram em 166% no último ano, demonstra que o Brasil não apenas experimenta a mobilidade elétrica, mas está construindo uma nova infraestrutura energética.

Custos e investimentos residenciais

Com o crescimento da infraestrutura pública, o novo desafio está nas residências. O custo médio para a instalação de um ponto de recarga em casa varia entre R$ 5 mil e R$ 10 mil, e em condomínios com infraestrutura já preparada, este valor pode ser até 50% menor. Com a nova legislação, a expectativa é que a curva de crescimento desse mercado se acentue, potencializando a combinação entre a infraestrutura pública de recarga e as soluções residenciais.

Em suma, o Brasil não está apenas testando a viabilidade do carro elétrico, mas está realmente construindo uma infraestrutura essencial para essa nova realidade no setor automotivo.

Fundador e editor no Mnz Motors.

Entre no canal do Whatsapp

Entrar

Entre no canal no Telegram

Entrar

Deixe um comentário