Últimas novidades sobre o Bugatti Mistral em uma era de eletrificação
O Bugatti Mistral entra para a história não como um lançamento comum, mas como o ponto final de uma era que começou muito antes de a indústria falar em eletrificação como destino inevitável. Em Molsheim, na fronteira leste da França, a despedida do Chiron e do motor W16 ganha forma num roadster que existe para ser sentido antes de ser explicado.

Nas estradas tranquilas ao redor de Molsheim, a experiência começa antes mesmo de girar a chave. A carroceria aberta deixa tudo exposto, o som, o vento, a vibração mínima que já denuncia a presença do motor. O Mistral é a última variação do Chiron, apresentado em 2016, e também a despedida definitiva do W16, um conjunto que moldou duas décadas de hiperesportivos sem aceitar limites externos.
Um motor que redefine a experiência de dirigir
A Bugatti sempre construiu carros que funcionam como marcos, não como produtos de linha. O Mistral segue esse caminho ao extremo. Sob a superfície elegante, o motor W16, que estreou no Veyron em 2005, entrega aqui sua forma mais intensa, com 1.600 cv e 163,1 kgfm. Esses números não aparecem como promessa, eles se manifestam em cada toque no acelerador, mesmo quando a estrada não permite exageros.

O desempenho máximo virou quase um detalhe diante do que o carro representa, mas ainda assim impressiona. Em configuração padrão, o Mistral alcança 380 km/h. Com a segunda chave acionada, o limite sobe para 420 km/h. E existe o número que paira como referência definitiva: 453,9 km/h, marca registrada em testes oficiais, suficiente para colocar o Mistral como o roadster mais rápido já produzido.
A aceleração não se parece com nada que esteja se tornando comum na indústria. O Mistral faz 0 a 100 km/h em 2,4 segundos e chega a 300 km/h em 12,1 segundos, mas esses números rapidamente perdem protagonismo quando o corpo é pressionado contra o banco e o som passa a dominar o ambiente.
Esse som é parte essencial da experiência. O motor W16 suga até 70.000 litros de ar por minuto, liberando uma sinfonia de zumbidos e explosões que dispensam qualquer sistema de áudio. Na cabine, a Bugatti faz questão de não disputar atenção com telas, optando por mostradores alinhados para uma visualização clara das informações.
O conforto surpreende tanto quanto o desempenho, com bancos desenhados como poltronas e uma suspensão que filtra imperfeições. O Mistral também apresenta uma capota simples para dias de chuva, sugerindo um aspecto quase cotidiano, ainda que essa palavra pareça deslocada.
Por fim, a exclusividade do modelo é inegável. O Mistral custa 5,5 milhões de euros, algo próximo de R$ 34 milhões, antes de personalizações que podem acrescentar mais 1 milhão de euros, cerca de R$ 6,16 milhões. Mesmo assim, as 99 unidades foram vendidas antes mesmo de chegarem às ruas, solidificando sua condição de ícone.
O Mistral não encerra essa história com uma resposta pronta. Ele deixa tanto o motorista quanto o leitor presos a uma pergunta incômoda: quando o som, a vibração e a presença física de um motor como o W16 desaparecerem do dia a dia, o que ocupará esse espaço sensorial? A dúvida permanece, acompanhando cada quilômetro rodado.

