A indústria automotiva da China está prestes a enfrentar mudanças significativas em suas políticas de subsídio de troca de veículos. O governo chinês anunciou, ontem, que se manterá a oferta de subsídios para troca de veículos em 2026, mas as novas regras poderão ser desfavoráveis para fabricantes de veículos mais acessíveis.
Entre os impactos mais severos estão as montadoras de carros econômicos como Leapmotor, BYD e Geely, que segundo analistas, terão que se adaptar às novas diretrizes que visam estimular a inovação tecnológica dentro do setor automobilístico.
Os subsídios de 2026 apresentam um teto de até RMB 20.000 (aproximadamente R$ 11.600) para a destruição de veículos antigos e RMB 15.000 para trocas. No entanto, ao contrário de 2025, onde os valores foram fixos, as novas regras determinarão que os subsídios serão baseados em uma porcentagem do preço do veículo, podendo chegar a 12% do valor do carro. Essa mudança faz com que os automóveis de baixo custo se verifiquem em uma posição desvantajosa.
Um estudo da Deutsche Bank, conduzido pelo analista Wang Bin, ressalta que os veículos com preço abaixo de RMB 150.000 enfrentaram uma redução drástica nos subsídios por unidade. Para ilustrar, um veículo elétrico novo (NEV) que recebia um subsídio de RMB 20.000 em 2025, pode contar apenas com RMB 9.600 em 2026.
Este movimento reflete uma tendência do governo em incentivar veículos de preço mais elevado e, por consequência, a inovação tecnológica que frequentemente se associa a esses modelos mais caros. Carros que forem NEVs com preço superior a RMB 166.700 e veículos a gasolina acima de RMB 150.000 poderão receber o subsídio total, o que pode fidelizar ainda mais compradores a marcas premium.
Além disso, a China Automobile Dealers Association (CADA) prevê que cerca de 12 milhões de carros podem se beneficiar dos subsídios de troca em 2026, o que promete aumentar o consumo de novos veículos em cerca de 1,5 milhão de unidades. Embora a expectativa seja de crescimento, os dados apontam também uma queda geral nas vendas que deverá continuar no primeiro semestre de 2026.
As projeções estimam que o volume de veículos de passageiros na China deve cair 5% em relação ao ano anterior, alcançando 28,9 milhões de unidades, face aos 30,4 milhões projetados para 2025.

