Exame prático da CNH muda com a Resolução 1.020/25. Veja como será a prova do Detran, critérios de avaliação, pontuação e uso de tecnologia.

A publicação da Resolução Contran nº 1.020/25 marca uma das mudanças mais significativas já feitas no processo de formação de condutores no Brasil. Esta nova normativa, que entrou em vigor em 18 de dezembro de 2025, visa modernizar o exame prático de direção veicular, etapa crucial para a obtenção da CNH. Contudo, a reformulação levanta muitos questionamentos sobre a eficácia e segurança dessa nova abordagem.

Entre as principais mudanças, está a nova estrutura de avaliação que define mais claramente os critérios e responsabilidades no exame prático. Segundo a resolução, o candidato deve cumprir duas exigências obrigatórias antes de realizar o teste:

  • aprovação no exame teórico;
  • registro, no Renach, da carga horária mínima de aulas práticas de pelo menos duas horas — um ponto sensível que altera drasticamente o formato anterior.

Além disso, os exames serão realizados na circunscrição do domicílio do candidato, em trajetos previamente definidos pelos Detrans estaduais, conforme as diretrizes gerais da nova norma.

Avaliação e Pontuação

O estilo de avaliação também passa a ser mais rigoroso. O candidato começará com uma pontuação de zero, e cada infração durante o teste resultará em pontos adicionais. Os pontos são compostos da seguinte forma:

  • Infração leve: peso 1
  • Infração média: peso 2
  • Infração grave: peso 4
  • Infração gravíssima: peso 6

Para ser aprovado, o candidato não pode ultrapassar 10 pontos ao final do exame. A comissão examinadora, composta por três avaliadores — sendo um com habilitação igual ou superior à categoria pretendida — terá autoridade para interromper o teste se perceber habilidades inadequadas.

Monitoramento Eletrônico

Um ponto inovador é o potencial uso de monitoramento eletrônico durante os exames práticos. Esta abordagem não apenas deve aumentar a eficiência administrativa, mas permitir que o candidato tenha acesso a todas as informações de registro, podendo contestar resultados, se necessário. A implementação dessa tecnologia poderá ser um divisor de águas na segurança e transparência do processo.

Por outro lado, a nova resolução mantém a possibilidade de múltiplas tentativas para aqueles que não forem aprovados, permitindo que o candidato refaça o exame sem taxas adicionais, desde que haja disponibilidade operacional.

Implicações para a Formação de Condutores

Em um contexto mais amplo, as mudanças no exame prático da CNH foram recebidas com ceticismo por especialistas, como Celso Mariano, diretor do Portal do Trânsito. Segundo ele, “reduzir etapas e cargas horárias não significa, automaticamente, melhorar o processo”. A preocupação surge com a possibilidade de o exame prático se transformar em um mero teste de sobrevivência no trânsito, em vez de assegurar uma formação sólida e segura para os futuros motoristas.

A responsabilidade dos Detrans passa a ser ainda mais crítica, uma vez que é necessário garantir trajetos adequados, critérios técnicos claros e uma fiscalização rigorosa para evitar abusos e distorções pelo processo.

O Que Isso Significa para o Brasil?

  • Segurança no Trânsito: O novo exame prático deve intensificar a atenção na formação dos condutores, sendo um dos principais termômetros da segurança viária.
  • Uso de Tecnologia: A integração de monitoramento eletrônico pode trazer mais transparência e eficiência ao sistema.
  • Impacto Financeiro: A possibilidade de múltiplas tentativas sem custos adicionais poderá incentivar mais pessoas a se habilitarem, aumentando a circulação de motoristas nas vias.