A Ponte Rio-Niterói vai testar um tipo de fiscalização diferente dos radares tradicionais: o controle de velocidade média. Em vez de medir apenas a velocidade do veículo no momento em que ele passa por um equipamento, o sistema acompanha quanto tempo o motorista leva para percorrer um trecho conhecido. Na Ponte, o projeto-piloto foi autorizado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres, a ANTT, para um trecho de 9,02 km no sentido Norte. A novidade, porém, vem com um detalhe importante: durante a fase experimental, não haverá multa aplicada exclusivamente com base na velocidade média.

Onde será testado o novo radar?

Na Ponte Rio-Niterói, o monitoramento será realizado entre o km 323,7 e o km 332,72 da BR-101/RJ, no sentido Norte. O trecho possui aproximadamente 9,02 km de extensão.

A autorização foi concedida em caráter provisório e experimental e prevê inicialmente 180 dias de testes. A contagem desse período começa somente quando os equipamentos forem efetivamente instalados e o monitoramento tiver início.

Como funciona o radar de velocidade média?

O funcionamento é diferente de um radar convencional. No modelo tradicional, o equipamento mede a velocidade do carro em um ponto específico da via. Já no controle por velocidade média, o sistema registra o mesmo veículo em dois ou mais pontos. Como a distância entre esses pontos é conhecida, o sistema verifica quanto tempo o veículo demorou para percorrer o trecho.

Com essas duas informações, distância e tempo, é possível calcular a velocidade média durante todo o percurso monitorado.

Frear antes do radar pode não adiantar

Esse tipo de fiscalização muda uma situação comum nas rodovias. Nos radares convencionais, alguns motoristas reduzem a velocidade apenas quando se aproximam do equipamento e aceleram novamente logo depois. Com o controle de velocidade média, essa estratégia pode deixar de funcionar.

Se o veículo percorrer boa parte do trecho acima do limite, reduzir apenas perto do ponto de medição pode não ser suficiente para manter a média dentro da velocidade permitida.

O novo radar vai aplicar multa?

Não nesta fase experimental.

A ANTT informou oficialmente que, durante os testes, não haverá autuação ou penalidade baseada exclusivamente na velocidade média registrada.

O objetivo inicial é avaliar o funcionamento da tecnologia, a confiabilidade dos dados, o comportamento dos motoristas e o desempenho operacional do sistema. Isso não significa, porém, que a Ponte ficará sem fiscalização. Os radares convencionais e as demais formas de fiscalização continuam funcionando normalmente. Portanto, uma infração registrada pelos equipamentos já existentes poderá continuar gerando multa pelas regras atuais.

Quanto tempo vai durar o teste?

A autorização prevê um período inicial de 180 dias. Esse prazo poderá ser prorrogado ou até encerrado antes, dependendo dos resultados e das avaliações técnicas feitas pela ANTT. A concessionária também deverá enviar relatórios mensais à agência durante o período de monitoramento.

Motoristas serão avisados sobre o trecho monitorado

A ANTT determinou que as concessionárias informem aos usuários que o experimento está sendo realizado. Na Ponte Rio-Niterói, o trecho monitorado deverá receber sinalização informando sobre o controle de velocidade média. Até o momento, não foram divulgados detalhes como a quantidade de equipamentos ou os pontos exatos de entrada e saída do sistema.

Outros trechos do Rio também terão testes

A Ponte Rio-Niterói não será o único local do estado a receber esse tipo de monitoramento.

Rodovia Trecho Sentido Extensão
BR-101/RJ Itaboraí/São Gonçalo, km 298,6 ao km 313 Norte 14,4 km
BR-101/RJ Itaboraí/São Gonçalo, km 298,3 ao km 314,39 Sul 16,09 km
BR-101/RJ Ponte Rio-Niterói, km 323,7 ao km 332,72 Norte 9,02 km
BR-116/RJ Nova Iguaçu, km 182,085 ao km 173,460 Norte 8,6 km
BR-116/RJ Teresópolis, km 64,350 ao km 69,550 Sul 5,2 km

Radar de velocidade média pode virar realidade no Brasil?

O projeto ainda é experimental. A ANTT afirma que os testes servirão justamente para avaliar se a tecnologia funciona de maneira confiável em condições reais de operação nas rodovias federais concedidas. Caso os resultados sejam considerados satisfatórios, a experiência poderá servir de base para decisões futuras sobre o uso desse tipo de fiscalização. Por enquanto, porém, o motorista que passar pelo trecho da Ponte Rio-Niterói não receberá multa exclusivamente porque sua velocidade média ficou acima do limite.

A fiscalização convencional continua valendo normalmente.