A joint venture Renault Geely do Brasil confirmou um novo aporte financeiro de R$ 2 bilhões para acelerar sua ofensiva de eletrificação no país. A quantia eleva o investimento acumulado da parceria para R$ 5,8 bilhões no ciclo de 2025 a 2027 e viabiliza a fabricação de um veículo inédito da marca francesa com lançamento marcado para 2027, além da produção local do sistema híbrido-flex Renault E-Tech com tração integral 4x4.
O anúncio ocorreu nas instalações do Complexo Ayrton Senna, polo fabril localizado em São José dos Pinhais, no Paraná. O evento reuniu lideranças globais de ambos os grupos automotivos e autoridades locais para detalhar os passos da operação conjunta, estruturada no final de 2025.
A chegada da arquitetura inteligente GEA ao Paraná
O futuro automóvel da Renault será o primeiro modelo da fabricante francesa construído sobre a plataforma GEA (Global Intelligent Electric Architecture). Desenvolvida em conjunto com a chinesa Geely, essa base modular flexível permite conceber veículos com diferentes níveis de eletrificação, aceitando conjuntos mecânicos puramente a combustão, variações híbridas convencionais, híbridas plug-in (com recarga externa) e sistemas 100% elétricos.
Para viabilizar a arquitetura, a unidade fabril paranaense passou por modernizações operacionais no início do ano. O espaço se transformou em um centro multipropulsão, capacitado para montar diferentes tipos de motorização na mesma linha de montagem, otimizando o fluxo logístico e reduzindo o tempo de adaptação entre novos projetos.
Ofensiva chinesa imediata com EX5 e EX2
Enquanto o produto da Renault mira a estreia comercial em 2027, a presença da Geely ganha força imediata no chão de fábrica brasileiro. A montagem local do SUV médio híbrido Geely EX5 EM-i já começou no Paraná, com as primeiras unidades programadas para desembarcar na rede de concessionárias ainda este ano.
O cronograma estabelece também o início da montagem em território nacional do Geely EX2 para dezembro. O hatch compacto 100% elétrico compartilha a arquitetura GEA, utiliza bateria de química LFP (Lítio Ferro Fosfato) de 39,4 kWh e entrega 116 cavalos de potência, posicionando-se como competidor direto dos compactos a bateria de maior volume de vendas do mercado.
Estratégia de custo, escala e polo de exportação
A fusão de competências entre os franceses e os chineses mira uma barreira histórica do mercado brasileiro: o preço final ao consumidor. De acordo com Fabrice Cambolive, CEO global da marca Renault e presidente do conselho da operação conjunta, o objetivo central da sinergia reside em acelerar o desenvolvimento e reduzir custos produtivos para viabilizar veículos eletrificados acessíveis através do plano estratégico FutuREady.

