A Li Auto está avançando na separação de sua área de semicondutores e prepara a primeira rodada de financiamento externo para o negócio. Segundo informações da imprensa chinesa, a divisão de chips está sendo avaliada em cerca de 15 bilhões de yuans antes do investimento, o equivalente a aproximadamente US$ 2,22 bilhões.
A fabricante pretende captar vários bilhões de yuans com investidores externos. O movimento acontece poucos meses depois de a empresa começar a estruturar juridicamente uma operação independente para sua área de chips, reforçando a estratégia de desenvolver internamente componentes críticos para seus veículos.
Li Auto quer transformar chips em um negócio separado
A companhia já vinha desenvolvendo semicondutores próprios, mas agora dá um passo adicional ao estruturar uma empresa dedicada ao setor. Registros empresariais citados pela imprensa chinesa mostram que a Mach Intelligent Cores Limited foi criada em Hong Kong em julho, seguida pela abertura de empresas relacionadas em Xangai.
A reorganização indica que parte da equipe de semicondutores está sendo transferida para essa nova estrutura. A ideia é permitir que o negócio tenha financiamento, incentivos e operação próprios, em vez de permanecer apenas como um departamento interno da montadora.
Equipe tem cerca de 200 pessoas
A divisão interna de chips da Li Auto possui aproximadamente 200 profissionais, concentrados principalmente em arquitetura de computação para inteligência artificial, projeto de semicondutores e desenvolvimento de software.
O grupo trabalha simultaneamente em chips para uso dentro dos veículos e em projetos voltados à computação em nuvem, ampliando a ambição da empresa para além do hardware embarcado em automóveis.
Mach M100 entrega 1.280 TOPS
O principal produto já desenvolvido pela empresa é o Mach M100, primeiro chip próprio da Li Auto produzido em escala. Fabricado em processo automotivo de 5 nanômetros, o semicondutor entrega 1.280 TOPS de capacidade computacional por chip.
O componente já é utilizado em alguns modelos novos ou atualizados lançados pela fabricante em 2026. A Li Auto optou por uma arquitetura chamada dataflow, em vez do modelo GPGPU mais tradicional adotado por boa parte do setor.
Empresa também quer desenvolver chip para nuvem
A estratégia não fica restrita aos automóveis. A Li Auto também trabalha em um chip de inferência para computação em nuvem, igualmente baseado em arquitetura dataflow.
A proposta é transferir para chips próprios parte das tarefas de inferência que atualmente dependem de GPUs. O desafio, segundo especialistas citados pela imprensa chinesa, será tornar o custo total da solução competitivo em relação às alternativas já consolidadas no mercado.
Por que uma montadora está desenvolvendo chips?
Os carros modernos utilizam cada vez mais poder computacional para sistemas avançados de assistência ao motorista, inteligência artificial, reconhecimento de imagens, processamento de sensores e funções de direção automatizada.
Desenvolver chips internamente pode reduzir a dependência de fornecedores externos e permitir que hardware, software e sistemas de inteligência artificial sejam projetados de maneira mais integrada.
Esse movimento não é exclusivo da Li Auto. Outras fabricantes chinesas também estão investindo em semicondutores próprios, principalmente à medida que veículos elétricos e sistemas de condução inteligente passam a exigir mais capacidade computacional.
Nio já fez movimento semelhante
A estratégia da Li Auto lembra a adotada pela Nio. A divisão de chips da rival chinesa concluiu sua primeira rodada de financiamento em fevereiro de 2026, captando 2,257 bilhões de yuans.
Na ocasião, a operação da Nio foi avaliada em aproximadamente 8,27 bilhões de yuans após o investimento. Depois da rodada, a própria Nio manteve 62,7% do negócio, enquanto investidores externos ficaram com 27,3% e os 10% restantes foram destinados a incentivos para funcionários e profissionais-chave.
Li Auto pode buscar clientes fora da própria montadora
A separação da divisão de chips também pode abrir caminho para uma nova fonte de receita. Executivos da Li Auto já indicaram que tecnologias internas, como chips e módulos de carbeto de silício, podem eventualmente ser transformadas em produtos padronizados e oferecidas para outras fabricantes.
Isso faria com que a área deixasse de ser apenas um centro de custos voltado aos carros da própria Li Auto e passasse a atuar também como fornecedora de tecnologia para terceiros.
Financiamento pode ajudar a bancar o desenvolvimento
Projetar semicondutores exige investimentos elevados e contínuos em pesquisa e desenvolvimento. No primeiro semestre de 2026, a Li Auto registrou prejuízo líquido de aproximadamente 3,98 bilhões de yuans.
Nesse cenário, trazer investidores externos para a divisão pode ajudar a financiar novos projetos sem concentrar todo o custo dentro da operação automotiva principal.
Chips viraram peça estratégica na indústria automotiva
A movimentação da Li Auto mostra como a disputa entre montadoras chinesas está deixando de acontecer apenas em bateria, autonomia e preço. Cada vez mais, empresas do setor querem controlar também processadores, software e inteligência artificial.
Se conseguir transformar sua divisão de semicondutores em um negócio independente e atrair clientes externos, a Li Auto poderá ampliar sua atuação de fabricante de veículos para fornecedora de tecnologia automotiva.

