A Changan está no Brasil desde 20 de novembro de 2025 — mas não por meio de uma subsidiária própria. A montadora chinesa desembarcou no país em parceria com a CAOA, que importa, distribui e monta os veículos na fábrica de Anápolis (GO). Hoje a operação vende cinco configurações de três famílias — UNI-T, CS75 e CS55 (flex e híbrido plug-in) —, mantém rede própria de concessionárias em expansão e já exibe no site o SUV elétrico de luxo Avatr 11, ainda sem preço público. A operação brasileira, porém, é separada do plano latino-americano que a matriz apresentou em Paris em outubro, e que cita Colômbia, Uruguai, Equador, Chile e Peru — sem o Brasil.
Como a Changan entrou no Brasil
A estreia oficial foi em 20 de novembro de 2025, no Salão do Automóvel de São Paulo. Na ocasião, a Changan assinou um acordo de cooperação com a CAOA — grupo brasileiro que já montou modelos da Hyundai e opera a CAOA Chery — e apresentou Gisele Bündchen como embaixadora da marca no país. O desenho escolhido não foi o de uma subsidiária: a CAOA ficou responsável por importar, distribuir e, depois, produzir.
Não é a primeira tentativa da marca por aqui. Nos anos 2000, os utilitários leves da Chana, então o braço comercial da Changan, chegaram ao país em volume modesto e sem continuidade industrial. A diferença agora é o arranjo: em vez de importar, a marca entrou com fábrica, rede própria e adaptação local de motor.
Anápolis: a fábrica e os R$ 8 bilhões
A produção nacional começou em 26 de março de 2026, com o UNI-T, na planta de Anápolis (GO) — a mesma que já havia montado modelos da Hyundai e da CAOA Chery e que passou a operar como polo multimarcas. O investimento anunciado soma R$ 8 bilhões, divididos entre o ciclo de R$ 3 bilhões iniciado em 2023 e um novo aporte de R$ 5 bilhões.
"Após concluir antecipadamente o programa de investimentos de R$ 3 bilhões anunciado em 2023, a CAOA anuncia um novo ciclo de R$ 5 bilhões, elevando o total investido na operação para R$ 8 bilhões."
Segundo a empresa, a operação emprega mais de 40 mil brasileiros, entre postos diretos e indiretos. A planta recebeu processos de fabricação que a CAOA descreve como inéditos na América Latina, e a adaptação do motor 1.5 turbo à mistura de etanol e gasolina é feita localmente — o que explica o preço competitivo diante de rivais importados.
O que está à venda hoje — e quanto custa
O portfólio brasileiro tem três famílias e cinco configurações. Os preços abaixo são os sugeridos pela marca no site oficial, consultados em outubro de 2026:
| Modelo | A partir de | Produção | Motorização |
|---|---|---|---|
| UNI-T | R$ 174.990 | Anápolis (GO) | 1.5 turbo flex, 180 cv, dupla embreagem |
| CS75 | R$ 179.990 | Anápolis (GO) | 1.5 TGDi flex, 180 cv, Aisin 8 marchas |
| CS55 Prime | R$ 144.990 | Anápolis (GO) | 1.5 turbo flex, 180 cv — em pré-venda |
| CS55 Infinity | R$ 154.990 | Anápolis (GO) | 1.5 turbo flex, 180 cv — pronta entrega |
| CS55 PHEV | R$ 189.990 | China (importado) | híbrido plug-in flex, 286 cv combinados |
| Avatr 11 | sob consulta | — | SUV elétrico de luxo |
A garantia anunciada é de 7 anos ou 150 mil km, com cobertura de 8 anos para a bateria do híbrido. O CS55 PHEV é o caso mais curioso da linha: trata-se do primeiro híbrido plug-in flex da história da Changan, com estreia mundial no Brasil em 23 de setembro. O sistema combina o 1.5 turbo a motores elétricos, soma 286 cv, declara 1.200 km de autonomia total e consumo urbano equivalente a 42,2 km/l. A versão híbrida vem da China; as versões a combustão são montadas em Anápolis.
Os números: 5 mil carros em três meses
Em 26 de junho, três meses após o início das vendas, a CAOA Changan anunciou a marca de 5 mil veículos vendidos — segundo a empresa, a chegada mais rápida a esse patamar entre as marcas que estrearam no Brasil. O volume foi puxado pelo UNI-T, primeiro modelo a chegar às lojas, e ajudou a sustentar a expansão da rede.
A escala, porém, ainda é de nicho. O volume mensal da marca é uma fração do que movem concorrentes chinesas já consolidadas, como BYD, GWM e a própria CAOA Chery, e a meta declarada é superar 60 pontos de venda até o fim de 2026. Para efeito de comparação, o mercado brasileiro de veículos leves registrou 262 mil emplacamentos só em agosto.
Avatr: o segundo andar
Acima da Changan, o grupo posiciona a Avatr, marca de elétricos de luxo desenvolvida em parceria com CATL e Huawei. O SUV Avatr 11 já aparece no site da CAOA Changan, mas sem preço público: a página convida o cliente a entrar em contato. A marca foi exibida no Salão do Automóvel de 2025 com os modelos 11 e 12, e a chegada ao mercado brasileiro é tratada pela empresa como a próxima etapa.
O que a Changan ainda não tem no Brasil
O Brasil está fora do roteiro latino-americano anunciado em Paris, que cita Colômbia, Uruguai, Equador, Chile e Peru. As linhas que a matriz levou ao salão francês — NEVO, de elétricos de volume, e DEEPAL, de híbridos — não fazem parte do portfólio brasileiro, e não há data confirmada para o NEVO Q05 por aqui.
Também não há anúncio de centro de pesquisa e desenvolvimento local nem de exportação a partir de Anápolis. A CAOA descreve a planta como polo multimarcas; se ela passar a abastecer os países vizinhos, o Brasil deixa de ser apenas mercado e entra no mapa industrial da Changan na região — o que mudaria o patamar de preço e de volume da marca no continente.
Perguntas frequentes
A Changan tem fábrica no Brasil?
Sim. A produção nacional começou em 26 de março de 2026, na fábrica da CAOA em Anápolis (GO), com o UNI-T. O CS75 e as versões a combustão do CS55 também são montados lá; o CS55 PHEV é importado da China.
A Changan é a mesma coisa que CAOA Changan?
Não exatamente. A Changan é a montadora chinesa; a CAOA é o grupo brasileiro que representa a marca no país, importa, distribui e produz. A operação comercial usa a marca CAOA Changan.
Quais carros a Changan vende no Brasil?
UNI-T, CS75 e CS55, nas versões Prime, Infinity e PHEV. O Avatr 11, da marca de luxo do grupo, aparece no site sem preço divulgado.
Quanto custa um Changan no Brasil?
Os preços sugeridos vão de R$ 144.990 (CS55 Prime) a R$ 189.990 (CS55 PHEV), segundo o site oficial em outubro de 2026. O UNI-T parte de R$ 174.990 e o CS75, de R$ 179.990.
O Brasil faz parte do plano latino-americano da Changan?
O comunicado de outubro de 2026 cita Colômbia, Uruguai, Equador, Chile e Peru, mas não o Brasil. A operação brasileira é conduzida pela CAOA, em estrutura separada da expansão própria do grupo.
Como acompanhar
O avanço da marca no país depende de três fatores: a consolidação da rede de lojas, a chegada (ou não) das linhas NEVO e DEEPAL e a definição sobre exportação a partir de Anápolis. O anúncio de Paris, que ignorou o Brasil, e a operação da CAOA contam duas histórias diferentes da mesma montadora — e é essa diferença que explica por que a Changan já vende aqui enquanto a matriz ainda trata o país como ausente do seu roteiro regional. Leia o resumo do que foi anunciado no Mondial de l'Auto 2026 e acompanhe o setor em Mercado e em Carros Elétricos.
Crédito das imagens: Divulgação / CAOA Changan. Com informações do newsroom global da Changan, do site oficial da CAOA Changan e de reportagens de G1, Quatro Rodas e Carsughi.

